A versão da historia da cigarra e da formiga

A cigarra insistia em curtir e dava as costas pras suas obrigações. De tanto se dedicar a formiga entristecia de se doar. Via que seu empenho não era suficiente pra sua vida mudar. Já a cigarra mantia sua linha e sem medo de errar vivia com emoção. O tempo passava e a cigarra, algumas vezes, se colocava atenta e prestativa. Mas não mudava e se alimentada de todo o suor da formiga. Eita formiga doada. Roubavam-lhe a felicidade e mesmo assim era feliz. Não se importava com o que a cigarra fazia, pois por sua consciencia, se mantinha. A cigarra foi aos poucos vendo que estava abusando. Tratou rapidamente de se alinhar. Mas passava um tempo curto e la estava ela a badalar. E a formiga, iludida com aquele sinal, se entregava e admiriva. Como pode essa cigarra, sempre curtindo e sempre feliz. Come do que sirvo, bebe do que disponho e mesmo assim se sente bem. Não se envergonha de nada fazer, mas pra que me preocupar. Uma hora ela vai se ligar. E a cigarra, cega, nem via tudo que acontecia. Do alto de sua pompa ia indo, indo... Formiga doada, aprendeu a dançar. Começou a curtir, mas sem abandonar sua missão. Um dia cigarra passou dos limites, comeu, bebeu, dormiu e foi passear. A formiga triste, viu tudo aquilo sem entender e pôs-se a procurar. Nada de encontrar aquela folgada cigarra que sempre estava lá a incomodar. Sentia falta de se inspirar naquela vida louca que lhe tirava o prumo. Que antagônico! Quem mais queria que a cigarra sumisse, agora estava traida por si mesma. Presa àquela situação de não ter de quem reclamar. Ai caramba, como se confortar? Afinal a vida de doação é chata e aquela cigarra lhe fazia refletir, distrair. E onde estaria a cigarra? As vezes alguma sombra pasava perto, parecia sua companheira... Ledo engano. A cigarra sumiu. Deixou aquela mordomia toda e não voltou mais. Teria ela ido importunar outra formiga? Pode ser que sim. Poderia ela ter se afogado em uma de suas danças e curtições? Pode ser que sim E a formiga voltou a sua dedicação diária. Concentrada e centrada, pois agora não era importunada. Como incomoda não ser importunada. Quero a cigarra novamente roubando meu sossego! Sem essa alternativa, passou a dançar e completar aquele vazio. Suava na fé da dedicação e no mesmo ritmo, cantava. Dançava, suava, cantava, mergulhava, voltava, pulava. Curtia! Aprendeu que era possível estar sem a cigarra. Mas onde andava a feliz amiga? Eis que surge um dia uma sombra. Parecia a cigarra, mas já nao se espantava. Tivera tantas falsas impressões que mais uma não a abalava. Mas estava lá. Inerte e olhando a felicidade da formiga, a cigarra! Viu a formiga dançar, pular, comer e beber como fazia a tempos. Mas a cigarra estava diferente. Sim, curtia ainda. Mas agora era distinto. Andando por ai descobriu a falta de estar cravada em algo verdadeiro. Voltou "recuperada", renovada. Quanto disturbio! A formiga a viu, mas fingiu não a ver e continuou. Dançando, comendo, vivendo, doando, trabalhando. Completa! E a cigarra, pós surpresa, recompôs-se, olhou-se e viveu. Viveu como nunca, amou como nunca. Flertou com a vida. De repente não se via mais diferença entre aquelas duas vidas distintas. Eram identicas e completamente diferentes, afinal uma formiga não é uma cigarra. E que tolo pensar que uma cigarra seria uma formiga. Mas eram perfeitas na inconsistencia de suas linhagens. Negadas! E agora? O que será adiante? O que virá depois do novo? Seria pertinente perguntar? Seria interessante antecipar a resposta. Não. Isso seria loucura. Deixe estar. Até porque a formiga foi passear. E a cigarra está perdida tmb. Nada é o que parece. Mesmo sendo claro e óbvio. E você que não entendeu nada. Não se preocupe. A historia deve fazer sentido. Mas só quando você puder ouvir os contos da cigarra, ou mesmo a fala da formiga, entenderá. Até lá conspire, inspire e respire...